terça-feira, abril 17

Como falar de religião com os filhos.

Já queria ter escrito este post a mais tempo, mas sempre fiquei enrolando. Tem certos assuntos que são delicados de se trabalhar na blogosfera, principalmente na materna. Mas lendo o post da Carol do blog Carol e suas baby bobeiras no final de semana me encorajou a escrever aqui. Sou ciente de que este assunto possa dar discussões, e sou super aberta a criticas, mas sou a favor da liberdade de expressão e sei que tem mais gente que pensa como eu, mas pelo fato de o blog ser público não publica sobre o assunto por medo de sentir represália.

No final de semana que antecedeu a páscoa veio um tema de casa para a criança fazer junto com os pais, a proposta era desenhar o que a páscoa simbolizava para a família. Até ai tudo bem, pois a páscoa para nós só simboliza o coelho com ovos de páscoa. Brincadeira, tudo bem nada. Eu e o marido ficamos super na dúvida o que iriamos fazer, é verdade que desenhamos o coelho e os ovos, pois como não temos religião definida  (acredito que há algo maior, mas não acredito em nenhuma). A dai várias coisas passaram na nossa cabeça, principalmente de como iremos falar de religião quando a Maria perguntar ou se ela por acaso sofreria algum tipo de bulling por isto, eu nunca sofri.

Deixo claro que apesar de não seguirmos nenhuma religião, não quer dizer que não somos pessoas de bem, e não acho que educá-la sem religião seja algo ruim, pois o que quero é que minha filha seja feliz e uma cidadã consciente, que faça o bem e preze pela vida, seja educada, consciente de seus atos, que saiba dar valor à vida e valor as pessoas, alguém sem preconceito (quanto a questão social, étnica, sexual, religiosa, política,...), que seja um ser humano de caráter e não é a religião que vai ensinar isto a ela. Prezamos muito o valor e o amor a vida e a família independente de como ela seja formada. Não estou querendo dizer para não seguir alguma religião, e que isto é certo ou errado, mas eu penso assim, não julgo ninguém e nenhuma religião.

Acho que a minha "formação religiosa" foi super tranquilo e pelo que vejo a do Leandro também. Eu quando pequena questionava muito sobre Deus e sua existência, e lia (sempre fui curiosa e inquieta com minhas perguntas) que outras religiões tinham outros tipos de Deuses então sempre questinava isto, minha mãe dizia que eu deveria seguir o que acreditava e o que me fazia bem, que ela fazia isto seguia o que ela acreditava, sem tentar me impor algo. Então cresci livre para fazer minhas escolhas, e é isto que quero que a maria tenha, liberdade para se conhecer e fazer suas escolhas. No meu ver minha mãe conseguiu conduzir de uma forma correta, me fazendo ir em busca do que eu acreditava, ou não acreditava. Busquei várias informações de várias religiões, via os prós e contras (bem coisa de historiador isto né? hahaha) e acabei não seguindo nenhuma, apesar de eu acreditar que existe uma força maior, e uma das maiores formas é eu acreditar em mim ou nos seres humanos.

Já o meu marido, pelo que já conversamos, passou por este mesmo processo e é Ateu. Uma opção dele, e convivemos super bem com isto. Mas a dúvida é de como explicar para os nossos filhos quando eles questionarem sobre este assunto. Creio que conduziremos da mesma forma que nossos pais, faremos eles irem atrás de suas respostas, pois todas as religiões tem o seu lado bom e ruim. Acredito que a Maria questionará muito sobre isto já que na nossa família há várias religiões sendo seguidas e convivemos super bem com isto. Segue então uma descrição de como é a religião nos dois lados da família (o materno e o paterno).

Materno:  Somos batizados evangélicos, mas não seguem a religião de batismo. Minha mãe e irmã seguem a doutrina espirita e meu pai até hoje estou tentando descobrir o que ele segue, na verdade ele pensa como eu, mas tem uma ligação muito forte com a Estrela de Davi (mas não segue a religião judaica, rsrsrs).
Paterno: São batizados católicos a minha sogra segue a religião, mas não a risca, e meu sogro e cunhada seguem a doutrina do Santo Daime.

Vejo uma grande vantagem para a Maria nisto tudo, um mosaico de religiões na sua família, reflexos de um pais laico que é o nosso. Este é um exemplo das novas famílias brasileiras.

Mas voltando ao dilema da escolinha, falei para a professora que achamos difícil o tema, ela riu e disse que era isto mesmo o trabalhinho, que era dificil trabalhar religião com crianças desta idade, e que haviam vários pais como nós, que não era para me preocupar e que não trabalhavam religião na escola justamente por conta disto, mas que era legal para as crianças verem a diferença. Achei super legal isto, e gosto muito da escola por este motivo, sempre trabalham com as diferenças.

Desculpem-me por este post longo, e obrigado para quem aguentou ler até o final, não era para ser tão grande assim, mas foi bom escrever para desabafar um pouco.

Beijos para todos!

2 comentários:

Kinha disse...

É realmente uma questão delicada, mas como tenho religião definida, prefiro me abter de colocar aqui minha opinião para não confrontar a sua!
Até porque religião, não se discute.
:)

Mãe Dipa (Paola) disse...

Oiê!
É realmente um assunto bem polêmico, pois infelizmente o ser humano não consegue lidar e respeitar as diferenças.
Acho importante, independente da crença, a Religião fazer parte da estrutura familiar, mesmo que os pais sejam Ateus, devem ensinar e explicar aos filhos o porque são Ateus.
O mais importante é passar para os filhos os valores da vida, respeito ao próximo, independente da religião.
Existem várias pessoas que batem no peito se dizendo religiosos e só comentem absurdos contra o próximo e a sociedade.
Adorei o post!
Beijos
Paola
www.dicasdamaedipa.blogspot.com