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quinta-feira, abril 10

Sobre ovos de páscoa e brinquedos...

Já falei aqui no blog sobre a páscoa consumista onde as marcas de chocolate lançam muitos ovos com vários personagens diferentes com valores exorbitantes por causa de um brinquedo (mini e sem muita utilidade). Para ter uma ideia olha só este comparativo (imagem rolando no Facebook), este é de um normal sem brinquedo, mas os infantis estão por aí também com valores absurdos sem contar que vem com menos chocolate apenas 180g!



Este ano eu e o marido decidimos fazer diferente, primeiro por que sou contra esta enxurrada de chocolates que as crianças ganham, aqui em casa dosamos o quanto de chocolate a Maria come, é somente no final de semana (está certo que durante as semanas que antecedem a páscoa o coelho deixa alguns ovinhos mas bem "inhos"...), e sei que muita gente irá dar ovos de chocolate para ela (me diz como controlar as avós? kkkk). Decidimos então comprar um livro que é um brinquedo e junto colocar uma barra de chocolate meio amargo. Presente perfeito, já que sempre incentivamos a leitura e livros eu acho que é sempre bem vindo. Tenho certeza que as crianças irão gostar e aproveitar bem mais e o valor será quase o mesmo.

Ontem o coelho já deixou um livro para a Maria, e ela amou, disse que ela sabia que o coelho gostava mesmo dela, segundo o meu marido que estava com ela quando encontraram o "presente" disse que ela beijou muito o livro e não acreditava que ele havia deixado o livro que ela "muito" queria da Peppa Pig.


O que acham? Vamos fazer uma páscoa diferente?Depois da Páscoa volto para contar como foi a reação das crianças!

sexta-feira, junho 21

Meu caro amigo

Como todos sabem sou formada em história, acredito que muito dos meus questionamentos e inquietudes da adolescência me levaram a este curso e consequentemente me fizeram entrar de cabeça nos movimentos para mudar a sociedade brasileira. E como meu dever, não poderia ficar à parte de toda esta movimentação no Brasil.

Sempre fui à favor de lutas, por gênero, melhores salários aos professores, melhoria de saúde e segurança pública, contra corrupção, LGBTTS, político, negro e muitas outras causas ligadas aos Direitos Humanos e minorias. Mas sempre fui também à favor de uma luta pacífica pois não é depredando patrimônio público que se faz a diferença, mas é mostrando que o povo tem voz e atitude, e juntos vamos sim mudar este pais, vamos para a rua para mostrar nossa insatisfação e indignação pois somos um país com muita potencialidade.

Quando me formei, como de costume, tínhamos que escolher uma música para a hora da colação de grau, desde o primeiro momento disse que seria a "Meu Caro Amigo" do Chico Buarque, e disse que um dia ela ainda faria sentido na minha vida, e o momento é agora...

Meu Caro Amigo
(Francis Hime e Chico Buarque, 1976)

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
 
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
 
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
 
Aqui na terra 'tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
 
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
 
Aqui na terra ’tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus 

Um bom final de semana para todos e #vamoprarua Brasil!!!!!

quarta-feira, junho 19

Conscientizar é preciso: Marcha das vadias

Como eu havia prometido semana passada falar sobre a Marcha que eu e a Maria fomos aqui na minha cidade, eis o post hoje com uma semana e meia de atraso! Hahahah, mas como sempre conscientizar é preciso hoje vim falar dela.

Sábado retrasado aconteceu em várias cidades do mundo a Marcha das Vadias, na minha cidade teve a sua primeira edição, mas em muitas já está na terceira. A Marcha tem no seu objetivo principal a conscientização da valorização da mulher na sociedade. Uma luta contra a sociedade machista que vivemos, consequentemente contra a violência doméstica e abusos sexuais independente da idade.

Muitas pessoas ficam chocadas com o nome da marcha, mas é para chocar mesmo, já que este é um termo pejorativo e muito utilizado quando se referem a estilos de vida da mulher. A mobilização ganhou este nome pois em 2011 em Toronto ocorreu uma série de estupros contra estudantes da universidade de Toronto. Quando foram denunciar os casos um policial local disse que isto só acontecia pois as mulheres atualmente se vestiam como vadias, e desta forma "convidavam" a estas ações bárbaras. Reproduzindo o discurso conservador machista. Então milhares de pessoas indignadas tomaram as ruas da cidade e deram o nome de "Marcha das vadias" fazendo alusão ao adjetivo pejorativo que o policial havia dado às estudantes que haviam sofrido o estupro.

Então paramos para pensar, desde quando uma roupa é sinônimo de que alguém possa fazer algo deste tipo? É ridículo o argumento deste policial, que transferiu toda a culpa dos estupros para as vítimas, inocentando assim o estuprador.

Esta atitude do policial mostra como vivemos em uma sociedade machista, de pensamento machista, onde uma mulher deve se privar de usar a roupa que quer, sair com amigas, beber, trabalhar, estudar, ser bem sucedida, ser sexualmente ativa, justamente para não ser julgada como vadia, pois se empregando esta palavra no seu feminino representa uma mulher sem valor social.

A nossa luta é contra este pensamento, é pela liberdade da mulher, é pela sua valorização enquanto pessoa, é por poder mandar no seu próprio destino e no seu próprio corpo. Não precisar ser humilhada enquanto vítima de uma sociedade que ainda tenta viver em uma convenção tradicional e retrógrada de "bons costumes" e valores sociais.

O tema deste ano foi "estes sapatos tem marcas", que retratava vítimas de violência domésticas e de crimes passionais. Foi exposto sapatos das vítimas e suas histórias.

Cada sapato levava a história das mulheres violentadas.


Sempre fui ativa como militante de lutas sociais, tenho certeza que junto mudaremos muitas realidades. Minha pitoca foi comigo, foi muito corajosa em marchar junto naquele sábado. Algumas pessoas me criticaram por isto, mas um número maior me aplaudiu, e entendeu que é desde pequeno que conscientizamos as pessoas, o respeito e a vontade de mudar a realidade vem de berço, e é isto que quero mostrar para minha filha que podemos sim mudar uma realidade, que queremos um mundo melhor para ela, com respeito e sem discriminação.

Antes de sair de casa expliquei para ela o que era, e o que representava (claro em uma linguagem infantil).  No final perguntei para ela se sabia por que estava ali, ela disse que era "para quando crescer ser feliz e fazer o que queria, e ninguém nunca machucar as mulheres". Fiquei feliz e satisfeita com a sua resposta, pois vi que com três anos ela entendia da sua maneira o que sempre tentamos ensinar a ela.

Segue mais uma fotinhos da Marcha:

Minha amiga Mary de anos, e uma das idealizadoras desta luta

Eu e a Maria na Marcha, ela estava adorando os cartazes!!! Mas não queria fotos não! Kkkkk
Já que muitos seguidores pediram por recado ou por e-mail (muitas pessoas me mandaram e-mail curiosos sobre a Marcha), espero que tenham gostado e entendido a nossa luta, que é muito importante para uma reflexão da história da mulher na sociedade.

Uma ótima quarta feira para todos! Assim que der volto!!! Morro de saudades de vocês!

Ah, aproveitando que estamos falando de política, vou ali sair na rua também e já volto! Bjos